quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Movimentar-se, mas com cuidados.

Movimentar-se é uma ação exigida por praticamente toda atividade humana. No entanto, a ocorrência de algumas doenças pode provocar alterações em práticas aparentemente simples, como o andar. É o caso da diabetes, cujas complicações podem ocasionar perda de sensibilidade, problemas na circulação sanguínea, entre outros envolvendo os pés. O estudo dos movimentos patológicos, ou seja, dos movimentos que têm relação com alguma doença, são o principal objeto de pesquisa do Laboratório de Biomecânica do Movimento e Postura Humana (LaBiMPH).
Fundado em 2005 no Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional (Fofito) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), o LaBiMPH já realizou importantes pesquisas envolvendo, entre outras doenças, a artrose (doença degenerativa das articulações) e a diabetes, utilizando equipamentos que permitem analisar, por exemplo, como é feita a distribuição das cargas do corpo nos pés do paciente. Essa avaliação é feita a partir da biomecânica. Segundo a coordenadora do Laboratório, Isabel de Camargo Neves Sacco, trata-se do estudo do movimento humano a partir das leis da mecânica, ou seja, uma área que une os conhecimentos da anatomia e da fisiologia aos princípios da física.
Uma das linhas de pesquisa do Laboratório investiga a biomecânica do movimento de pacientes diabéticos com uma complicação crônica chamada neuropatia diabética, um tipo de lesão que acontece nos nervos do paciente quando ele está com altas taxas de glicose no sangue. Essa glicose é tóxica para os nervos, que ficam prejudicados e passam a conduzir menos estímulos elétricos para os músculos e para os sensores da pele. Com isso, “o paciente perde sensibilidade e deixa de sentir dor nas extremidades”, explica a pesquisadora.
Ao perder essa sensibilidade, o paciente passa a não perceber mais a forma como apoia o pé no chão, de modo que ele passa a distribuir seu peso de forma irregular sobre a planta do pé – a neuropatia, assim, impede o doente de sentir as dores que o impediriam de caminhar errado. Ao longo do tempo, o andar inadequado pode provocar deformações, calos e até mesmo úlceras nos pés dos diabéticos. “Essas ulcerações dificilmente são cicatrizadas, pois o paciente não deixa de andar. Além disso, a cicatrização também é um fator afetado pela doença”, alerta Isabel . A gravidade da neuropatia fica evidente nos casos em que é necessária a amputação de partes do pé.
Imagem: Valdir Silva/USP Online














Segundo dados do International Diabetes Federation (IDF), mais de 370 milhões de pessoas em todo o mundo têm diabetes, e mais da metade não sabe que tem a doença. Logo, muitos são os que estão suscetíveis às consequências da neuropatia diabética. “Uma pessoa com um caminhar normal tem picos de pressão no calcanhar, no ante pé, e tem um considerável uso dos dedos para apoiar e empurrar o corpo enquanto anda. Já o diabético quase não tem apoio dos dedos, principalmente no hálux [dedão do pé]”, descreve Isabel. A sobrecarga na região do ante pé estimula a formação de calosidades, que podem se tornar úlceras.

Varismo de retro-pé: adução do calcâneo em relação à tíbia (definido sem descarga de peso com subtalar em neutro) – pronação espacial Com descarga de peso ocorre pronação da subtalar para apoiar todo o calcâneo no chão (repercussões ascendentes sobre o MI). Valgismo de retro-pé é a alteração do alinhamento do calcâneo no sentido oposto (abdução).
Ante-pé • Varismo de ante-pé (cabeça do hálux mais alta que do 5º): alteração do alinhamento das cabeças dos metatarsos em varo em relação ao calcâneo (também favorece à pronação da subtalar) – pronação temporal.

Fonte: 
http://www.ufjf.br/especializacaofisioto/files/2010/10/MARCHA-HUMANA-NORMAL-PARTE-2.pdf

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